As “Startups”, os modelos colaborativos e o “negócio aberto”

A indústria criativa
28/04/2020
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As “Startups”, os modelos colaborativos e o “negócio aberto”

As novas tecnologias de mídia e comunicação repercutem na indústria criativa de forma a permitir a criação de novos modelos de negócios, quais sejam, os colaborativos e os “negócios abertos” – do inglês “open business” – seja através de “startups” ou de maneira independente pelos próprios artistas.

Como nunca antes, surgiu uma nova tendência de criações de “startups” voltadas para a indústria do entretenimento, com o intuito de discutir como ela pode se renovar, como por exemplo a música e os vídeos musicais podem passar a serem ouvidos, através de novas plataformas, aplicativos, mensagens sociais, realidade virtual, ou produtos de realidade aumentada.

A tendência de mercado é um comportamento colaborativo em que diversos agentes possam atuar na formação de um negócio. Antigamente, todo esse processo era mais engessado, pois era comum as empresas venderem e os consumidores comprarem.

Hoje em dia, o comum é que os consumidores interajam com o produto, alugando-o, emprestando-o, compartilhando-o e, muitas vezes, ainda participando de sua concepção, criação e desenvolvimento.

O grande papel das “Startups” nesse processo é que elas surgem com a ideia de inovação em seu conceito, e naturalmente já incorporam uma nova maneira de empreender, enquanto as indústrias tradicionais têm maiores dificuldades para se adaptar a essa comunidade colaborativa.

Existem, atualmente, quatro tipos de caminhos para serem utilizados pela economia colaborativa: o coworking, a cocriação, o crowdsourcing e o crowdfunding.

O coworking, já altamente difundido no Brasil e no mundo, nada mais é do que um espaço de trabalho compartilhado, em que diversos agentes autônomos de diferentes áreas de trabalho podem se juntar, seja para locação do espaço, seja para aproveitar as diversas pessoas e perspectivas diferentes ali contidas.

Já a cocriação, caracteriza-se por envolver os clientes, fornecedores, consumidores e até, porque não, os concorrentes no processo de desenvolvimento e criação de produtos e serviços. Tem-se, por princípio, que vários agentes pensando podem criar em conjunto um produto melhor.

O crowdsourcing, por sua vez, representa a utilização de inteligência coletiva para a resolução de problemas, como é o caso, por exemplo, do Wikipédia.

O Crowfunding, comumente conhecido como financiamento coletivo, representa um novo modelo de negócio interessante na indústria criativa. Ele funciona de modo a permitir que projetos recebam doações tanto de pessoas quanto de empresas.

Esse método colaborativo dá a oportunidade de boas ideias captarem recursos para se concretizarem, de maneira alternativa, sem que para tanto os seus criadores sejam compelidos a buscarem leis de incentivo, procurarem investidores ou buscarem um empréstimo bancário, por exemplo.

Na indústria musical, por exemplo, essas plataformas podem ajudar os compositores, artistas, músicos e intérpretes a encontrarem o suporte necessário para iniciar a carreira, financiar a realização de shows, turnês e festivais, financiar o lançamento de álbuns e de videoclipes, juntar recursos para divulgação e marketing, e outras tantas oportunidades.

Através dessas plataformas, os fãs podem ajudá-los a se lançar no mercado mediante a contribuição de pequenas quantias e, como incentivo, os criadores do projeto podem fornecer alguma recompensa exclusiva aos colaboradores, caso o projeto atinja a quantia necessária para ser realizado.

O que se percebe é que, atualmente, existem muitas perspectivas de monetização a partir do streaming e das canções executadas ao vivo, sendo que as plataformas digitais tomaram a dianteira na inovação e iniciativas criativas, propagando o conteúdo musical, de forma a causar uma intensa alteração na dinâmica da economia mundial.

Esse comportamento colaborativo, que coloca o consumidor no centro da cadeia produtiva, está determinando um novo comportamento no mercado, e roubando o espaço das estruturas lineares em organizações fechadas.

 

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